Cordilheira em ebulição

A Cordilheira dos Andes é uma região da América do Sul em constante ebulição. O cenário visual é construído por montanhas de grandes altitudes, com picos nevados e contornos incomparáveis. Em meio aos picos nevados, encontramos vários vulcões, alguns ativos e prontos para entrar em erupção, o que deixa o cenário efervescente. 

Mas o calor da região andina não se limita às atividades geológicas que compõem parte do Círculo do Fogo do Pacífico. Há também o calor humano, o calor social e o calor político, algo que transforma a região em constantes manifestações populares em busca dos direitos e de um mundo melhor. Por essa razão, essa região iniciou vários dos processos independentistas do continente americano. 

Essa fotorreportagem apresenta registros de quatro momentos calorosos registrados em Loja, Equador, e Bogotá, Colômbia. Também compõe a fotorreportagem o curta-documentário Recuerdos Paisas, gravado em Medellin, Colômbia, e que oferece vozes de vítimas dos tempos do Cartel de Medellin, quando a ebulição naquela região era da violência e do narcotráfico. Navegue nessa narrativa.

vulcao equatoriano.jpg

Diversos vulcões, como o Cotopaxi, "aquecem" os Andes.

montanha bogota.jpg

A cordilheira em Bogotá tem um desenho particular.

Vozes femininas

No final de 2019, em Bogotá, uma sistemática programação de protestos contra a violência de gênero ocupou a cidade. Um dos lugares escolhidos foi o bairro da Candelária, que sediou diversas apresentações musicais, artísticas e a venda de artesanatos. 

A violência de gênero é um problema planetário, e a Colômbia não podia ficar de fora das estatísticas. Por essa razão, e no anseio de serem escutadas, diversos coletivos feministas de Bogotá se organizaram e levaram adiante esses encontros.

 

Numa sexta-feira, entre alegres músicas, danças divertidas e muita energia, as mulheres discursavam sobre igualdade de gênero e o fim do feminicídio. Foi impossível deixar de registrar um momento tão importante para um mundo melhor.  

Observações femininas.JPG
Livre de violência de gênero
Livre de violência de gênero

press to zoom
Acordes femininos
Acordes femininos

press to zoom
Sabores
Sabores

press to zoom
Livre de violência de gênero
Livre de violência de gênero

press to zoom
1/18

Direitos sociais

No final de 2019, como que encerrando um ano efervescente nas ruas da América Latina, onde os chilenos foram protagonistas, os equatorianos também pediram o direito de fala. Dois dias após o presidente da república, Lenin Moreno, decretar o fim do subsídio da gasolina, o que provocou o aumento de mais de 30% do preço final do produto,  a população mobilizou-se em ondas e parou o país. O caos tomou conta da capital, Quito, com acessos fechados, destruição e mortes de civis registradas nos confrontos. 

Em Loja, cidade localizado no sul equatoriano e sobre a cordilheira dos Andes, os protestos foram mais amenos, mas não menos calorosos. Como um protesto social para um jornalista é o mesmo que oferecer doce a uma criança, peguei minha inseparável câmera e fui ao encontro do povo. O confronto foi inevitável, com direito a gás lacrimogêneo e correria. O saldo final foi uma seleção de fotos capas de retratar de maneira sequencial o ocorrido na praça central da cidade.

Jesus salva
Jesus salva

press to zoom
Vozes
Vozes

press to zoom
Fumaças
Fumaças

press to zoom
Jesus salva
Jesus salva

press to zoom
1/29

Protestos urbanos

Bogotá é a capital da Colômbia. É o caldeirão da Colômbia. Naquelas terras Simón Bolívar viveu e por lá liderou a lutar pela independência de uma região que depois transformou-se em três nações: Venezuela, Colômbia e Equador. Perto de lá, aconteceu a famosa batalha de Boyaca, entre outras lutas pelos direitos coletivos. 

Foram 200 anos desde que Simón Bolívar liderou o levante, mas parece que o tempo não passou por lá. Prova disso é o constante calendário de manifestações que a capital do país possui, sempre terminando na praça que leva o nome do libertador.

 

Decidi reunir, nesta fotorreportagem, dois momentos de manifestações bogotanas. A primeira, acalorada, aconteceu em 2011 e foi empunhada pelos estudantes universitários de todo o país contra a promulgação da Ley 30, que alterava profundamente questões de direitos legais do ensino superior.

Grafittis.JPG
ley30 04
press to zoom
ley30 05
press to zoom
ley30 06
press to zoom
ley30 01
press to zoom
ley30 03
press to zoom
ley30 02
press to zoom
1/1

A segunda manifestacao foi artística e aconteceu no final de 2019, quando jovens decidiram realizar uma performance contra a morte de jovens pelo exercito da Colômbia. A instalacao performatica aconteceu em diversos momentos de um sábado, ao lado da Praça Simón Bolívar. Dessa maneira, os bogotanos protestam, com vozes e gestos. 

DSC09722
press to zoom
DSC09730
press to zoom
DSC09729
press to zoom
DSC09727
press to zoom
DSC09728
press to zoom
DSC09726
press to zoom
DSC09725
press to zoom
DSC09723
press to zoom
DSC09724
press to zoom
1/2

Gritos traumáticos

Na Cordilheira dos Andes cultiva-se a coca, que tem suas folhas usadas para ajudar os moradores da região a enfrentar o ar rarefeito comum em regiões de grandes altitudes. Tradicionalmente mascada pelos andinos (inclusive crianças) agora também é vendida em formato de chá em supermercados, farmácias e mesmo nos aeroportos. 

 

Mas a mesma folha também produz cocaína, droga ilícita que ainda movimenta milhões de dólares pelo mundo. Um importante protagonista da história da cocaína no mundo foi o colombiano Pablo Escobar, que à frente do Cartel de Medellin foi o responsável por milhares de assassinatos na Colômbia. 

 

Morto pela polícia na tarde de 02 de dezembro de 1993, em Medellin, enquanto vivo, Pablo Escobar aterrorizou diversas vidas, algumas delas com vozes no curta-documentário Recuerdos Paisas. A obra é apresentada aqui na fotorreportagem.   

Fotos, vídeos, textos e design:

Denis Renó

Realização:

logo genem.jpg
FAPESP.jpg

Financiado por: