A fotografia está nos olhos e na alma de quem a vê

Um grande amigo meu me disse anos atrás: "eu adoro fotografia, mas não sei fotografar". O curioso é que esse querido amigo é professor de semiótica, além de ter mais de 30 anos de experiência no cinema. A minha resposta foi sempre contrária a essa ideia equivocada, e continua sendo.


As gotas podem representar diversas poesias em uma fotografia. Santiago de Compostela (Denis Renó, 2018)

Como dizia Henri Cartier-Bresson, fotografamos com os olhos. Sendo assim, toda pessoa com um mínimo de atenção, sensibilidade e paciência é, ou pode ser, um fotógrafo em potencial. Operar uma câmera é outra história, e essa habilidade pode ser compensada por um tecnicismo. Entretanto, compor um quadro, encontrar a luz correta e, acima de tudo, construir uma poética com a fotografia, é algo que só um fotógrafo consegue fazer.


Outro grande amigo meu, fotógrafo profissional há quase 30 anos, me disse uma vez que "com o advento do smartphone, todo mundo virou fotógrafo". Engano. Com o advento do smartphone, assim como ocorreu com o advento da câmera portátil, todo mundo adquiriu as possibilidades de registrar momentos.


Porém, isso não faz de ninguém um fotógrafo. Ser fotógrafo é como ser um maestro, que consegue obter de uma orquestra diversas composições construídas a partir de tons e ritmos distintos. Só se consegue com sensibilidade e talento. O mesmo ocorre com a fotografia. A poética fotográfica está em diversos fatores (dentro ou fora do quadro, com ou sem luz, a cores ou em preto e branco, estático ou em movimento, etc)


Diante disso, convido você leitor a praticar a fotografia, a encontrar a poesia dentro de suas fotos, dos seus registros. Qualquer pessoa pode assobiar, mas nem todo mundo é músico. Qualquer um pode conduzir um carro, mas poucos viram pilotos. Todo mundo pode apertar um disparador (mesmo que este seja um botão virtual em uma tela de smartphone). Isso não significa que o apertador de botão seja fotógrafo.

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