Sobre Saraguro

O povo Saraguro é um povo equatoriano de nacionalidade indígena Kichwa, sendo o único grupo étnico da província de Loja que sobreviveu à colonização espanhola. Caracterizado pelos chapéus e os ponchos como vestimenta, os Saraguro cultivam milho, feijão, batatas e hortaliças, além da criação de ovinos, bovinos, porcos e aves. Há décadas emigram para Europa e Estados Unidos, entre outros lugares. 

 

Com a colonização espanhola, o povo Saraguro se transformou em uma tribo católica, ainda que mantenha viva boa parte de sua crença espiritual, como a Chacana (a dualidade), o princípio de todas as coisas: homem-mulher, noite-dia, forte-débil, uma dualidade constante no cotidiano Saraguro. Dessa crença resultam os quatro elementos, os quatro fundamentos do universo: tempo, espaço, movimento e ser. Ainda, para os Saraguro, os seres humanos sempre voltam a viver situações, reencontrando-as. Decidimos reencontra-los pela fotografia. 

Foto: Sebastião Salgado (Outras Américas)

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Saraguro e Sebastião Salgado

Em 1977, há quarenta anos, Sebastião Salgado iniciou a produção de seu primeiro livro de fotografia, Outras Américas. Na obra, Salgado retrata, entre outros povos indígenas latino-americanos, os Saraguro, do Equador, uma comunidade que fica na província de Loja, próxima à fronteira com o Peru, nos Andes.

 

As fotos feitas por Salgado à época registram momentos de expressão dos Saraguro e revelam uma sensibilidade misturada com humanismo e humildade do fotógrafo, características marcantes já nos primeiros anos de sua carreira. Sebastião Salgado viveu meses na tribo Saraguro para aproximar-se de sua cultura.

 

A sensibilidade de Sebastião Salgado foi responsável pela construção dessa importante obra, assim como a aproximação do fotógrafo com o povo Saraguro. 

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O povo Saraguro é composto por uma maioria feminina, graças ao intenso movimento emigratório dos homens. 

Saragureñas

As mulheres Saraguro são vaidosas, com cabelos compridos e trançados, roupas brancas e negras com detalhes coloridos. Os rostos levam marcas do tempo, do frio, do trabalho, pois são em sua maioria trabalhadores rurais de subsistência. Trazem uma beleza inconfundível. 

 

Porém, registrar essa beleza não é fácil. Os Saraguro não gostam de ser fotografados, pois acreditam que a fotografia rouba seu espírito. Por essa razão, as 47 fotografias desta reportagem (em slide show) foram registradas com uma lente 55-200, usando ao máximo a aproximação ótica. 

 

Durante a Inti Raymi, a Festa ao Sol, fomos a Saraguro para revisitar esse povo, com um desafio: a partir do olhar imagético de Sebastião Salgado, fotografar a comunidade. Apresentamos, nesta reportagem, um novo olhar sobre o povo Saraguro, revelando em preto e branco a feminilidade dessa histórica comunidade.

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As mulheres Saraguro cuidam de seus filhos o todo o tempo, carregando-os em seus corpos. 

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Fotografar os Saraguro é um desafio, especialmente quando se tem pouco tempo para aproximar-se.

O chapéu das Saraguro é uma de suas características, assim como a saia negra e os adereços em prata e pedras coloridas. 

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Os costumes das mulheres Saraguro parecem intactos ao tempo e às culturas que as ameaçam.

Dados e infográfico:

Luciana Renó

 

Fotos e design:

Denis Renó

 

Suporte:

Catalina Mier

Apoio:

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